E se nada mais pudesse criar estranheza, a junção pouco convencional de sabores faria corar uma qualquer Danone, ficando num estranho limbo entre a criatividade gastronómica e a parafernália bipolar. À chegada, depois de escolhermos entre o menos mau de 3 pratos aparentemente em vias de extinção - já só restam 1 ou 2 de cada, excluindo o bacalhau que infelizmente nunca acaba mas que está sempre fora de questão - vamos sendo surpreendidos com a variada panóplia de sumos de fruta disponíveis a pedido: "Ora bem, hoje temos Laranja-Banana, Ananás-Melão-Hortelã, Jabuticaba-Romã e Limonada", diz o empregado semi-eslavo, aparentando não reparar no atordoamento momentâneo do visitante ocasional com a estranheza das várias hipóteses.
O que não é dito imediatamente é que, em Linda-a-Velha, a sua saúde é levada muito a sério. E se eles dizem que é natural, caralhos nos fodam se não é mesmo natural. Natural demais, até. Tão natural, tão natural, que se reduz ao mínimo a intervenção humana no entre o produto inicial - a fruta - e o produto final - o sumo - preservando ao máximo as suas propriedades de origem. Traduzindo isto por linguagem não científica, quer dizer que a banana vai para dentro da Bimby no mesmo estado em que veio da árvore. Sem tirar nem pôr. Acontece depois que o promissor sumo Laranja-Banana acaba por saber a Pistaccio-Caranguejo, mais coisa menos coisa. Contudo, em boa verdade, o problema não vem da fruta. Vem mesmo da casca.
| Sumo de Casca de banana: um miminho para o esfíncter. |
Há que dar a mão à palmatória. Em Linda-a-Velha assistimos à criação de um novo conceito: o sumo integral. Ou isso, ou são apenas os restos das saladas de fruta de ontem, o que justifica em grande parte a variedade de sabores (em toda a acepção do termo). Seja como for, a verdade é que à terceira vez só os mais corajosos ainda se aventuram pela Tropicália. De resto, vai mesmo a água natural. E às vezes, com gás.